Desobediência Civil
- Redação Dc News
- 10 de jan. de 2023
- 3 min de leitura

O conceito moderno de "desobediência civil" é atribuído ao abolicionista, ecologista, filósofo natural, defensor da propriedade privada e crítico da sociedade amoral e cada vez mais negligente com os preceitos espiritualistas tradicionais de seus dias, Henry David Thoreau (1817 - 1862). Observe que estamos falando do século XIX!! Em seu livro mais conhecido, "Desobediência Civil", ele descreve a noite em que ficou preso, quando se recusou a pagar um imposto abusivo do governo. Eis um trecho:
"Faz seis anos que não pago o poll tax. Uma vez por isso fui preso, por uma noite; e, enquanto eu estava ali examinando as maciças paredes de pedra, com seIS ou três metros de espessura, a porta de madeira e ferro com trinta centímetros de espessura e as grades de ferro através das quais a luz se filtrava, não pude deixar de ficar impressionado com o absurdo daquela instituição que tratou-me como se eu fosse apenas carne, sangue e ossos, para ser trancado. Fiquei surpreso por finalmente ter concluído que esse era o melhor uso que poderia fazer de mim, e que nunca havia pensado em fazer uso de meus serviços de forma alguma. Percebi que, se houvesse uma parede de pedra entre mim e meus concidadãos, haveria uma ainda mais difícil de escalar ou quebrar, antes que eles pudessem ser tão livres quanto eu. Não me senti segregado nem por um momento, e aquela parede parecia-me apenas um grande desperdício de pedra e argamassa. Sentia que só eu, de todos os meus concidadãos, tinha pago o meu imposto. Eles claramente não sabiam como me tratar, mas se comportavam como pessoas rudes. Em cada ameaça e em cada lisonja havia grosseria, pois estavam convencidos de que meu maior desejo era me encontrar do outro lado daquele muro de pedra. Não pude deixar de sorrir ao ver com que diligência eles fechavam a porta diante das minhas reflexões, que os acompanhavam sem impedimento, porém, e que constituíam o único perigo real. Como eles não podiam me alcançar, eles decidiram punir meu corpo; eles se comportaram como crianças que, quando não conseguem chegar a alguém de quem se ressentem, acabam maltratando o cachorro. Eu também entendi que o estado era um idiota, um temeroso, como uma mulher solteira entre os vários tipos de talheres, incapaz de distinguir seus amigos de seus inimigos, e assim acabei perdendo todo o respeito que havia deixado por ele. E eu tIve pena dele. O Estado, portanto, nunca se mede diretamente com a sensibilidade de um homem, intelectual ou moral, mas apenas com seu corpo, com seus sentidos. Não é dotado de inteligência superior ou honestidade, mas apenas com força física superior".
O Estado quando se insurge sobre seus cidadãos forçosamente, através da corrupção e da violência, se torna ilegítimo, isto é, perde completamente a autoridade de promover a Justiça, dado que, se assim o fizer, terá de punir a si próprio, pois age como réu de suas próprias leis e passivo de suas próprias penas. Outrossim, já se tornou o Estado brasileiro: fora da lei! Não há NADA mais a conversar com este Estado. E todo o que assim se configura, para manter-se atuante, em pouquíssimo tempo se valerá das leis que o legitimam para destruí-las. Há diversos modos de se iniciar e se perpetuar esse processo e, aqui no Brasil, como bem pontuou o ex-ministro do STF, Marcos Aurélio de Melo, o processo foi iniciado e, hoje, perpetua-se pelas ações irresponsáveis do próprio STF. Um Estado assim, a cada arbitrariedade, a cada ato (crescente) de tirania e barbárie, se deslegitima, lançando a sociedade para um caos ingovernável. Pois, observe bem, é precisamente para lá que o Brasil está sendo empurrado.
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